Dra Natasha Inspira

“Uso do protetor solar deve ser a cada 3 horas”, diz especialista

Neste fim de semana, o site Mídia News trouxe esta importante notícia sobre os cuidados com o sol e compartilhamos aqui com vocês:

VITOR HUGO BATISTA
DA REDAÇÃO

O câncer de pele é o tipo de câncer com maior incidência de casos no Brasil. De acordo com o Instituto de Câncer (Inca), a média é de 176 mil casos por ano.

A dermatologista Natasha Crepaldi reforça a importância de um diagnóstico e tratamento precoce para tratar a doença.

Segundo a especialista, nos casos em que o diagnóstico é feito mais cedo, é possível iniciar um tratamento adequado e as chances de curam chegam a 90%.

Em entrevista ao MidiaNews, Crepaldi falou sobre os sinais na pele que alertam para a doença, o perfil de pessoas mais atingidas e faz um alerta para o uso de proteção solar.

Para a médica, os dermatologistas precisam ser incluídos na lista do check-up anual das pessoas, pois os profissionais conseguem diagnosticar várias doenças através da pele, o maior órgão do corpo humano.

No último mês do ano é realizado o “Dezembro Laranja”, uma campanha de conscientização sobre a doença”.

Confira os principais trechos da entrevista:

MidiaNews – Quais os sinais na pele que podem ser um sintoma de câncer?

Natasha Crepaldi – O mais preocupante é o surgimento de novas lesões ou o ressurgimento de lesões antigas. Nessas duas ocasiões, é essencial a procura de um médico dermatologista para fazer a avaliação.

Por que precisa ser um especialista? Porque algumas características dessas lesões só podem ser vistas por meio do exame dermatoscópico, que é uma lupa específica da dermatologia que consegue aumentar a lesão muitas vezes. Com isso, é possível distinguir pequenos elementos que podem ser indícios de um câncer de pele.

A olho nu, também conseguimos ter indícios. É uma regrinha básica para identificar câncer de pele: quando a lesão é assimétrica; quando tem mais de uma cor — marrom, preto, branco, vermelho, por exemplo -, quando é maior que 6 milímetros ou maior que a circunferência de um lápis, e também quando a lesão está em evolução, ou seja, cresceu, coçou ou sangrou. Tudo isso pode ser indício de câncer de pele.

MidiaNews – Por que o câncer de pele mata tanto no Brasil? O clima interfere? Falta informação?

Natasha Crepaldi – É um conjunto de fatores, mas o principal é o diagnóstico tardio. O único câncer de pele com alto risco de morte é o melanoma, mas ele é o menos frequente. Com o tratamento precoce, 90% dos casos têm sucesso.

O grande problema do melanoma é o diagnóstico tardio, por isso há um grande empenho da sociedade de dermatologia, de médicos e da imprensa de divulgar o Dezembro Laranja. Se não há o diagnóstico precoce, as chances de morte aumentam consideravelmente.

A conscientização também serve para outros tipos de cânceres mais comuns, porque há um impacto grande na sociedade e no sistema de saúde. Além disso, os locais mais atingidos são áreas nobres do rosto, como nariz, bochechas e orelhas. Muitas vezes, a solução é a retirada dessas lesões, o que gera uma mutilação na região. Nem sempre o SUS (Sistema único de Saúde) consegue arcar com plásticas de reconstrução.

Então essa campanha é uma forma de alertar, informar, orientar e educar as pessoas para se olharem e procurarem o diagnóstico precoce.

MidiaNews – O dermatologista é um profissional que precisa ser frequentado em um check-up anual?

Natasha Crepaldi – Com certeza. A dermatologia consegue fazer o diagnóstico de muitas doenças internas, porque a pele é o maior órgão do corpo. Quando qualquer sistema do organismo não está funcionando corretamente, a pele, o cabelo e as unhas manifestam de alguma forma.

Casos de diabetes, de resistência à insulina, colesterol alto e outras tantas doenças podem ser diagnosticadas. Eu já fiz diagnóstico de câncer de pulmão no consultório através de exames de pele.

Então, um dermatologista consegue achar indícios precoces e, com certeza, um check-up dermatológico anual conseguiria reduzir grande parte desses problemas.

MidiaNews – Qual o perfil das pessoas que têm câncer de pele?

Natasha Crepaldi – Os cânceres de pele mais comuns são mais frequentes em pessoas que estão mais expostas ao sol. Aqui no Estado, o interior é rico em atividades voltadas ao agronegócio e, por isso, muitas pessoas trabalham debaixo do Sol. O risco e a incidência aumentam quando falamos de pessoas de pele clara. Tenho muito paciente do interior com esse problema.

Pacientes com histórico familiar de câncer de pele e que tiveram queimaduras frequentes ao longo da vida também correm risco. As queimaduras com bolhas causam alterações no DNA e ficam na memória das células, que se reproduzem de forma errada.

MidiaNews – É uma doença mais comum entre homens ou mulheres?

Natasha Crepaldi – É um pouco mais frequente em homens. Possivelmente, por conta dessa questão da grande exposição solar e também pela falta de cuidados.

Os homens são bem resistentes aos cuidados estéticos, pela questão dos pelos no rosto e pela oleosidade maior da pele. Mas hoje isso não é mais problema. Hoje temos inúmeras opções de protetor solar para todos os tipos de pele.

MidiaNews – A idade é um fator que contribui?

Natasha Crepaldi – A idade se relaciona com o tempo de exposição ao Sol ao longo da vida. Pessoas mais velhas costumam ter um acúmulo de radiação maior na pele. Por conta disso, os cânceres acabam sendo mais frequentes com na faixa etária dos idosos.

MidiaNews – Em uma cidade como Cuiabá, onde há grande incidência de raios solares, há uma maior prevalência da doença?

Natasha Crepaldi – Por ser um polo de tratamento, Cuiabá acaba atraindo muita gente do interior. Em Mato Grosso, temos Cuiabá, Rondonópolis e Sinop como únicos polos.

MidiaNews – Pessoas brancas correm mais risco de ter câncer de pele?

Natasha Crepaldi – É uma pele mais desprotegida e sensível, então é lesionada com mais facilidade pela radiação ultravioleta. Isso ocasiona uma lesão no DNA, que acaba gerando células que se recuperam de forma errônea.

MidiaNews – A recomendação, então, seria o uso diário de protetor solar?

Natasha Crepaldi – Exatamente. É necessário o uso diário de protetor solar a cada 3 horas. Em situações de exposição direta ao Sol, a recomendação é o repasse a cada hora. Se você mergulhar na água, a cada mergulho é preciso passar.

Nós também sempre reforçamos a proteção física, que seriam as roupas, os óculos e o chapéu. Óculos de sol com proteção ultravioleta ajudam, porque a área dos olhos é uma das mais acometidas. O chapéu é mais recomendado que o boné, porque tem uma área de proteção maior para a pele. As roupas precisam ter um tecido com material fotoprotetor.

MidiaNews – Qual é o fator de proteção recomendado? Depende de cada pele?

Natasha Crepaldi – Se for para sermos mais específicos, depende sim de cada pele. Mas para a população em geral, o recomendado é no mínimo o fator 30. É importante optar por protetores que tenham a documentação do Inmetro, da Anvisa, que são vendidos em farmácia, com selos. Não é recomendado comprar qualquer manipulação ou de qualquer vendedor.

É muito comum também a pessoa ir para a praia e utilizar o mesmo protetor no ano seguinte. Tem que dar uma olhada no prazo de validade da embalagem do produto. Geralmente são apenas seis meses, raramente, 12 meses. É preciso ter atenção.

MidiaNews – Dizem que acima do fator 30, é tudo a mesma coisa. É verdade?

Natasha Crepaldi – Com o fator 30, a gente se aproxima de 90% de proteção. A questão é que a quantidade recomendada e o tempo de aplicação não são respeitados. Então a gente acaba recomendando um fator mais alto para compensar essa falha na quantidade e no intervalo de aplicação.

Uma colher de proteção para o rosto e pescoço garante proteção, e as pessoas utilizam uma colher de café somente.

Quando usamos o FPS mais alto há uma demora a mais para se queimar, então a gente consegue ficar um pouco mais protegido, sim. Mas a orientação é o repasse a cada 3 horas do mesmo jeito.

Matéria do Mídia News, clique aqui

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